Quem sou eu

Sou Gabriela Alvarenga, pscióloga clinica, pós-graduada em Psicoterapia Humanista pela Universidade Fumec BH/MG, Especialista em atendimento às pessoas surdas através da LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais).

quarta-feira, 5 de agosto de 2009


Ouvindo o silêncio das mãos
Atualmente muito se fala da inclusão social. Mas é interessante pensar no que costumamos incluir em nosso coração. Acolher a diferença não é tarefa fácil, pois nos exige paciência e disponibilidade.
Na convivência com pessoas surdas observo que, às vezes, as pessoas ouvintes quando estão em contato com os surdos ficam afoitas, seja por não compreendê-los claramente em seus rápidos sinais, ou talvez por não terem paciência para entendê-los. Ainda que não se saiba a Língua de Sinais, basta olharmos em seus olhos, em seu rosto, para compreender o que eles querem nos dizer. Veja que grande oportunidade de acolhermos um irmão em sua diferença! Se estivermos disponíveis a entendê-lo, é sinal que estamos ao menos, incluindo-o em nosso tempo.
Minha experiência com a Língua de Sinais Brasileira (Libras), a comunicação dos Surdos, começou quando certa manhã, na empresa em que trabalhava, dei um “ bom dia” e não tive como resposta sonoras palavras, mas sim, um olhar amoroso e mãos acenando rapidamente para mim. A partir daí, fisgada por aquele gesto, interessei-me em conhecer essa língua.
Conviver e ter amigos surdos é uma grande oportunidade de sentirmos bem de perto a sensibilidade do ser humano. Notem como são pessoas observadoras, como reparam nos detalhes e são capazes de perceber uma tristeza em nosso olhar. Mas para atentarmos a isso, precisamos nos desacelerar no tempo corrido, que às vezes não nos deixa parar.
O trabalho com pessoas surdas me encanta. Faz-me despertar para o outro em um sentido muito peculiar: preciso silenciar-me para “ouvir as mãos”. Esse é um exercício que permite disponibilizar-me e dirigir-me inteiramente ao outro, até mesmo com um olhar! Isso faz diferença na vida dos surdos e na vida de todos nós!
É hora, e sempre foi, de olharmos e nos importarmos mais com as pessoas. Essa é uma das aprendizagens da acolhida do ser humano com toda a sua diferença, e, sobretudo, com toda a sua igualdade.

Um comentário:

  1. Parabéns Gabriela, sua sensibilidade é fantástica.
    Ouvir o silêncio das Mãos é como perceber a presença do Divino em nós.
    Felicito-a pelo seu trabalho e sensibilidade.
    Continue sempre com esta chama acesa. Adorei este blog.
    Abraços,
    Fatima Barreto

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